sexta-feira, 15 de julho de 2016

Poeminha do conto de fadas às avessas

 


Depois de tantos anos de vida comum, o marido cansara-se da esposa.. 
Não era aquela a princesa que povoava seus sonhos.. 
Já não sentia frio na barriga, nem inebriava mais seus olhos quando a via.. 
O amor parecia perder-se,
A admiração parecia esvaziar-se,
A princesa, tão outrora princesa, tomara-se uma velha e insensível sapa.. 
E o relacionamento, antes um mar de rosas perfumadas, tornara-se indiscutivelmente um item perecível.. 


Ahhhh os homens, esses homens..  
Parecem querer que a amada os adivinhe.. 
Parecem sonhar insistentemente com princesas e rainhas encantadas.. 
Mal sabem eles, nas verdades cruas da vida, que príncipes jamais serão.. 
Mal sabem eles que, para manter sua sapa princesa, é necessário trocar seus velhos óculos enferrujados e enxergar que sua sapa nem é assim uma terrível e verde sapa.. 
Mister mesmo, repito, é mudar seus óculos, senhores.. 
Para um relacionamento feliz, é obrigatório uma pequena dose de surdez, a troca imediata das lentes e uma vontade irremediável de manter-se o príncipe de sua sapa.. 
É preciso arrancar prazer nas noites de chuva, 
é preciso urgentemente ouvir o coaxar único no meio de um lamaçal de sapos.. Apressa-te, meu caro!!! 
No lamaçal dos sapos, existem outros inúmeros e atraentes sapos também.. 


Ps: a gente só ama o que a gente não conhece.. 

(Dos 23 poemas de amor) 



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