sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sinfonia para um homem bom




Porque quando choras pareces verter teus Nilos enclausurados 
São tantos os grilhões a sufocar-te, homem 
Que eu prefiro te ver assim, inerte ao teu próprio tempo.. 
Esse mesmo tempo que muda tudo e a todos.. 
Que sucumbe as horas dessa vã existência 
Essa implacável ampulheta a que batizamos de vida.. 
E tu te vais e choras 
E choras tuas lágrimas de sal e pó 
Tuas vertentes ininterruptas 

Que dizer de ti, homem bom.. 
Que és único 
Que és raro 
Que morres quase esquecido 
Abandonado como doente nalgum leprosário infame 

Que dizer de ti, ó homem.. 
Que és um guri, que nalgum lugar escondes teu riso pueril 
Que te mostras moleque 
Que sonhas com as bolitas coloridas 
Que queres mesmo é o colo de acalanto da tua mãe. 
Para ti homem bom é que escrevo essas ínfimas linhas 
Para que não morras sem lê-las 
para que em tua memória soem esses versos como sinfonias em dó menor.. 


Para meu tio, Ernesto..


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