quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Poeminha do amor miúdo




Não fosse a utopia do amor, acordariam desesperançosas as manhãs..
Não fossem as mágicas paixões e não haveria sentido na existência.. 
Não houvessem os sentimentos avassaladores,  pairariam como bonecas tristes os seres.. 
Em tempos de crise e cólera há de se pensar no amor como benção e nos abraços como unções.. 
Em tempos de terror e insensibilidade observar um olhar apaixonado é quase um milagre da existência..  
Em tempos de amores miúdos, qualquer amor é um perfeito amor.. 

Bem aventurados sejam os amantes, 
Bem aventurados sejam os amados 
Bem aventurados todos aqueles que desejam arduamente amar
Bem aventurados os que, ainda que amando amiúde, amam.. 
Qualquer amor, até mesmo um miúdo amor, é uma tristezinha minorada.. 



(Dos 23 poemas de amor) 



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Poeminha do amor no breu

Não era metafísico o amor.. 
Era táctil, corpóreo.. 
Rendia-se às rendas e aos rendez-vous.. 
Conhecia as curvas, as reentrâncias as recalcitrâncias da amada.. 
Usava chapéu o amor 
Chapéu e um echarpe cor de nada 
Não tinha olhos verdes, nem nuances no cabelo, nem apolíneos eram seus traços.. 
Era uma tábua rasa. Não tinha nada. 
Era um amor cego e na cegueira absoluta 
Exercitava o braile.. 


(Dos 23 poemas de amor)